sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

                             





                 Pessoal, essa entrevista foi feita pelo Milton Jung, da CBN SP/Nacional, antes do aumento da gasolina. Eu estava explicando que a opção do Governo Federal em abandonar o Transporte Público e estimular o transporte individual vai desequilibrar as contas da Petrobrás, aumentar os preços dos combustíveis, causar inflação e - lógico - prejudicar ainda mais a qualidade de vida nas cidades. 



http://cbn.globoradio.globo.com/programas/jornal-da-cbn/2013/01/23/REDUCAO-DO-IPI-TROUXE-PREJUIZO-AO-PAIS-EM-MEDIO-E-LONGO-PRAZO.htm



segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A CONTA DA IMPORTAÇÃO DO DIESEL TAMBÉM DESEQUILIBRA A PETROBRÁS E A BALANÇA COMERCIAL BRASILEIRA.

O modelo de Transporte Rodoviário destrói a qualidade de vida urbana, multiplica o consumo de combustíveis, causa 40 mil mortes por acidentes/ano, 50 mil mortes por doenças/ano e em breve poderá desequilibrar a economia brasileira.


Dentro de mais alguns dias publico a segunda parte do estudo sobre as importações de combustíveis que a Petrobrás vem realizando para a crescente frota brasileira de carros, ônibus e caminhões.

Como o governo federal e os governos estaduais optaram pelo modelo rodoviário de transporte, o pulo de 29 milhões de veículos (ano 2000) para 72 milhões (ano 2012) está causando um consumo de combustível nunca previsto pelo planejamento da Petrobrás.

Se a importação de gasolina já causou um rombo de mais de R$ 9 bilhões em 3 anos, a importação de diesel segue caminho semelhante, com números (em confirmação) de mais de R$ 6 bilhões nos últimos três anos.

Não há possibilidade da Petrobrás não ter de repassar esses prejuízos ao preço dos combustíveis. E não há possibilidade desse aumento de preços não causar inflação.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O INCENTIVO AO TRANSPORTE INDIVIDUAL OBRIGA A PETROBRÁS IMPORTAR GASOLINA.
CONSEQUÊNCIA: GASTOS DE R$ 9 BILHÕES E RISCOS À ECONOMIA BRASILEIRA

Desde 1999 a Petrobrás não tinha um prejuízo em suas contas. E no segundo trimestre de 2012 registrou um prejuízo de R$ 1,3 bilhão. A causa? A importação mensal de mais de 2 milhões de litros de gasolina para abastecer a frota de automóveis que cresce à razão de 3,5 milhões de carros por ano.

Até 2009, o Brasil era praticamente autossuficiente em gasolina. Mas os estímulos do governo à indústria automobilística, combinados com as quase inexistentes políticas transporte público levaram ao brasileiro a optar por comprar automóveis a usar os sistemas de transportes públicos das cidades brasileiras.

Se em 2000 o Brasil tinha pouco mais de 29 milhões de veículos (carros, motos, ônibus e caminhões), em 2012 o tamanho da fota nacional de veículos já ultrapassava os 72 milhões. A consequência mais óbvia pode ser vista nas cidades brasileiras: 260 km de congestionamentos em São Paulo e 160 km de congestionamentos no Rio de Janeiro, só para citar as duas maiores cidades brasileiras.

E muita, muita poluição e acidentes. Só em 2010, mais de 41 mil mortos em acidentes.

E essa frota de automóveis é sedenta de combustíveis: gasolina, álcool e diesel. No caso específico da gasolina, em 2012 foram necessários importar mais de 3,5 bilhão de litros para satisfazer esses milhões de carros e motocicletas. Em 2011 o Brasil gastou US$ 1,6 bilhão em importações de gasolina e em 2012 o Brasil gastou US$ 2,91 bilhões. Usando uma taxa de câmbio média de  R$ 2,00 para cada US$ 1,00 , a Petrobrás teve de importar mais de R$ 9 bilhões em gasolina. 

São R$ 9 bilhões de prejuízo na balança externa brasileira. E o problema não acaba aí. É e será muito mais grave.

A Petrobrás não pode ficar engolindo esse prejuízo sem repassar ao preço da gasolina. E como o Transporte Público brasileiro está concentrado nos automóveis, motocicletas e ônibus e não nos Metrôs, VLTs e Ônibus Elétricos, o repasse do prejuízo da importação da gasolina desencadeará uma inflação a todos os produtos relacionados com o transporte: mão-de-obra, alimentos, eletrodomésticos etc.

Um aumento de 15% no preço da gasolina pode causar uma inflação inicial de 2% a 4% em menos de dois meses. E isso afeta às contas públicas, na medida em que a dívida pública de  R$ 1, 9 trilhão (um trilhão e novecentos bilhões de reais) em setembro de 2012,  tem grande parte dela indexada à correção da inflação. 

Ou seja, a dívida pública aumentará por conta da inflação, podendo chegar e ultrapassar os R$ 2 trilhões em poucos meses


Gasolina A se refere à gasolina pura, que será misturada com álcool (etanol), para fazer a mistura que é o padrão do combustível brasileiro


E se a frota de Automóveis continuar a crescer?


E com o crescimento da frota de automóveis, já que o governo federal isenta o IPI e governos estaduais isentam os carros novos de IPVA (como o Distrito Federal), a necessidade de importar gasolina não diminui.

Segundo o Secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério das Minas e Energia, Marco Antônio Almeida, em 29 de agosto de 2012, o Brasil, através da Petrobrás terá de gastar até R$ 58 bilhões em importações de gasolina até 2020 se o crescimento da frota nacional de veículos continuar na proporção atual.

É importante frisar que esse problema não foi criado pela Petrobrás. Muito pelo contrário, ele caiu no colo da empresa por mau planejamento governamental, que preferiu gastar em corredores de ônibus e incentivos à indústria automobilística.

Como a Petrobrás, que está investindo mais de R$ 100 bilhões na exploração do Pré-Sal, na aquisição de navios petroleiros, de navios-plataforma, na construção de duas mega-refinarias pode desviar ou interromper esses investimentos sem quebrar?

A armadilha do transporte individual motorizado vai levar o Brasil inexoravelmente a uma crise, com a retomada da inflação. E não se pode deixar de mencionar que vai-se chegar a um momento em que as vendas de automóveis vão se estagnar, pois ninguém consegue dirigir dois veículos ao mesmo tempo.

É o que houve nos Estados Unidos, onde cidades dependentes da indústria automobilística, como Chicago, faliram pelo esgotamento da compra de automóveis.

Financeiramente, não há como a Petrobrás absorver a conta da importação da gasolina sem repassar ao preço da gasolina vendida ao consumidor. E não adianta apontar a substituição da gasolina pelo álcool, pois teria-se de dobrar a área plantada em menos de três anos. E novamente após outros seis anos. E isso seria feito através da substituição das lavoura de milho e soja, o que gerará outra cadeia inflacionária pela diminuição brutal da oferta de alimentos.

Segundo empresários do setor canavieiro, seriam necessários R$ R$ 130 bilhões de investimentos para que a indústria da cana pudesse atender essa demanda de combustível. Isso é pouco menos que a necessidade das 10 maiores cidades brasileiras implantarem 20 novas linhas de metrôs a um custo médio de R$ 5 bilhões por cada nova linha.


     Metrôs , VLTs, Ônibus Elétricos, Bicicletas e Pedestres são a solução inteligente para a Mobilidade Urbana 
                                                                             
Metrôs, VLTs, Ônibus Elétricos e Energia Alternativa

E é exatamente aí que está a grande chave que pode resolver essa crise que virá: se o Brasil trocar o modelo de transporte individual motorizado (carros e motocicletas) e de corredores de ônibus por Metrôs, Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs) e Ônibus Elétricos, a necessidade por mais gasolina (e álcool e diesel) irá parar e em seguida diminuirá.

Se a cada ano pudermos diminuir 2% dos veículos individuais por Transporte Público de Qualidade, no primeiro ano a importação de gasolina irá estabilizar. No segundo ano em diante, irá diminuir a importação na mesma proporção e pressão nas contas diminuirá igualmente.


E a questão da Energia Elétrica? Como suprir Metrôs, VLTs e Ônibus Elétricos, se o Brasil está passando por seguidos apagões?

O Brasil tem uma manutenção precária no setor de transmissão de energia. A perda de corrente dentro do sistema de distribuição é um prejuízo que é sempre omitido pelos governantes, que preferem gastar em obras do que em manutenção.

 Pegando novamente o caso de Brasília como modelo, a companhia estadual de eletricidade (CEB) tem seguidamente derrubado o fornecimento de energia no DF. E ao mesmo tempo, construiu uma hidroelétrica em Corumbá (GO) para suprir as necessidades do DF até 2060. A causa é simples: a manutenção está sucateada.

No caso do Brasil, há ainda o potencial inexplorado da energia eólica, já estimado em mais de 1 GigaWatt (1.000 megawatts). Isso sem mencionar parques eólicos como o de Caetité (BA), que mesmo estando prontos, não podem enviar sua energia pois a Companhia Hidroelétrica do São Francisco (CHESF) não construiu os 120 km das linhas de transmissão. 


Além disso, ao se retirar de circulação ônibus, carros e motocicletas, as temperaturas dos grandes centros urbanos irá cair. Em São Paulo, os dias de pouca circulação de automóveis são acompanhados de melhoria nas condições atmosféricas. Nesses dias, o consumo de energia cai igualmente.

Isso diminui a pressão do uso de ar condicionados, que é um dos maiores sugadores urbanos de energia elétrica. E essa energia poderá ser usada pelos Metrôs, VLTs e Ônibus Elétricos.

Com a diminuição dos veículos em circulação, a Mobilidade aumentará, assim como diminuirão os acidentes e as doenças relacionadas à poluição. Novamente diminuirá o custo social que o trio Carros-Ônibus a Diesel-Motos causa ao Brasil. 

Há vários anos estamos tentando convencer às autoridades de planejamento que a cilada do Transporte Individual e dos Corredores de ônibus levará o Brasil a uma forte crise. Fomos à audiências públicas no Senado Federal, nos Ministérios Públicos, nos executivos Federal e do Distrito Federal e o lobby automotivo sempre ganhava.

Agora, se os governos não reverterem as políticas de Transporte Individual e de Corredores de Ônibus, a economia brasileira poderá quebrar. Esperamos que agora estejam mais propensos a nos escutarem.






terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Elefantes cor de abóbora

A Relação entre Governantes, Especulação Imobiliária,Corredores de Ônibus, VLTs e Metrôs na cidade do Rio de Janeiro                                                      





          Um absurdo passou batido pelas festas de final de ano, mas ainda é tempo de resgatar a barbaridade. Em 17 de dezembro passado, juntaram-se o filho do bilionário americano Donald Trump, a Caixa Econômica Federal e o sempre sorridente prefeito do Rio para anunciar que um elefante cor de abórora será construído na Zona Portuária do Rio. O bichão esquisito vai andar da seguinte maneira.
          Pelo que anunciou a trupe do Trump, no segundo semestre começam a ser construídas na degradada zona portuária da cidade duas torres comerciais de 38 andares cada, com 150 metros de altura.
         O negócio será dividido da seguinte forma: Trump entra com o nome e a Caixa, com algo entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões - dinheiro que, pela missão da empresa, deveria ser alocado em saneamento e habitação.
         O R$ 1 bilhão de dinheiro público de diferença entre os dois prováveis orçamentos sabe-se lá para onde vai.
        Já Eduardo Paes, o prefeito do bota acima, vai se encarregar de fazer o elefante abóbora passar lépido entre o emaranhado de instâncias de licenciamento.
        Pelo previsto, esse animal esquisito deve ficar adulto em 2016 – número mágico, o do ano das Olimpíadas na Cidade. Até lá, esse número que identifica a febre obreirística que encanta governantes e suas empreiteiras seguirá justificando o andamento de uma manada inteira de elefantes abóboras na Cidade Maravilhosa.
       Outro desses paquidermes hipetrofiados em custos, o dos corredores rodoviários expressos que já abrem buracos na pista poucos meses após sua inauguração, venceu sabe-se lá como a disputa com outros modais muito mais ecologicamente corretos e adequados aos transportes realmente de massa, como metrôs de superfície.
       Depois do esburacado Transoeste, outros dois elefantes cor de abóra – a Transcarioca e a Transbrasil – estão a pleno vapor, para júbilo de construtoras e tesoureiros de campanhas eleitorais.
       Para completar o faz e desfaz, o sorridente Paes inventou outra, por assim dizer, digna de nota (fúnebre). Cerca de cinco anos após ser construído, outro patrimônio público pode vir abaixo. Trata-se da Vila Olímpica da Gamboa, que atende a quase 2,5 mil pessoas, quase todas residentes no Morro das Providência.
       A desculpa para a destruição desse enorme espaço de esporte, na cidade que hospedará partidas da Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos dois anos depois, é construir ali o Centro Integrado de Operação e Manutenção do Veículo Leve Sobre Trilho (VLT) que vai servir a Zona Portuária.
       Detalhe importante de mais este elefante cor de abóbora: a Vila é pública. O VLT nascerá privatizado.

Carlos Tautz, jornalista, coordenador do Instituto Mais Democracia – Transparência e controle cidadão de governos e empresas. 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

POR QUE UM CONCURSEIRO TEM DE MOSTRAR BONS ANTECEDENTES PARA TRABALHAR NO GOVERNO E UMA EMPRESA DE ÔNIBUS NÃO PRECISA?

As empresas de ônibus do DF possuem dezenas de processos, vários abertos pelo pelo próprio Governo do Distrito Federal e pelo Ministério Público, por não cumprirem suas mínimas obrigações, como transportar passageiros com dignidade e não pagar os impostos. 

           
            Vamos pegar as empresas de transporte de passageiros do DF dos três grandes, Valmir Amaral, Nenen Constantino e Wagner Canhedo. Todas respondem a dezenas de processos, algumas até centenas de processos na Justiça do DF. 

            A Viação Pioneira (da família Constantino) tem 127 ações na primeira instância. São quase 90 processos de Execução Fiscal por não pagamento de impostos, multas e outras obrigações fiscais. Essa Viação Pioneira é justamente apontada pelo Governo do Distrito Federal como a vencedora do primeiro lote de cinco áreas em licitação para operar no DF, com exclusividade pelos próximo 20 anos. A Pioneira possui até um pedido de falência. 

           A família Constantino possui outras empresas no DF, o que expande ainda mais a lista de problemas na Justiça. Mas utilizamos o nome da Pioneira por ser o da empresa que foi inscrita e sagrada vencedora na licitação de transportes do DF.    

              Para consultar, é só colar o endereço abaixo na janela de eu navegador:

http://tjdf19.tjdft.jus.br/cgi-bin/tjcgi1?NXTPGM=tjhtml101&CIRC=ZZ&ORIGEM=INTER&SELECAO=2&CHAVE1=&submit=ok&CHAVE=Via%E7%E3o+Pioneira
Motorista com ônibus da Viação Pioneira atropela e mata jovem em junho de 2010.
Fonte: http://onibusrmtca.blogspot.com.br

           
            A VIPLAN (da família Canhedo), tem 412 ações na primeira instância. Há um equilíbrio entre as ações de execução fiscal nas Varas de Fazenda Pública e de indenizações / cobranças nas Varas Cíveis. A VIPLAN é cobrada por não pagamento de impostos, apropriação das verbas trabalhistas, acidentes de trânsito, não pagamento de fornecedores etc. 

            A família Canhedo tem outras empresas de transporte em Brasília, como a Condor, por exemplo. Igualmente, ao se consultar o nome da Condor, a lista de problemas na Justiça se amplia extraordinariamente. O endereço da pesquisa realizada com o nome VIPLAN foi o abaixo:

http://tjdf19.tjdft.jus.br/cgi-bin/tjcgi1?CIRC=ZZ&ORIGEM=INTER&CHAVE1=&SELECAO=2&CHAVE=VIPLAN&NXTPGM=tjhtml101&submit=ok

Ônibus da VIPLAN capotado na BR-040 em outubro de 2010.
Foto publicada no site:http://onibusrmtca.blogspot.com.br

          Já a empresa Rápido Veneza possui 14 ações e a empresa Veneza Transportes possui 13 ações na Justiça do DF. Essas empresa são ligadas à família Amaral, que participa -  obviamente - licitação de transporte do DF. A empresa maior do grupo, a Rápido Brasília,  possuiu 209 processos na Justiça do DF. Os endereços da consulta foram os seguintes:

Rápido Brasília: 
http://tjdf19.tjdft.jus.br/cgi-bin/tjcgi1?submit=ok&CHAVE1=&CIRC=ZZ&SELECAO=2&NXTPGM=tjhtml101&CHAVE=R%E1pido+Brasilia&ORIGEM=INTER 

Rápido Veneza:
http://tjdf19.tjdft.jus.br/cgi-bin/tjcgi1?ORIGEM=INTER&NXTPGM=tjhtml101&CHAVE=R%E1pido+Veneza&CHAVE1=&submit=ok&CIRC=ZZ&SELECAO=2

Veneza Transportes:
http://tjdf19.tjdft.jus.br/cgi-bin/tjcgi1?ORIGEM=INTER&NXTPGM=tjhtml101&CHAVE=Veneza+Transportes&CHAVE1=&submit=ok&CIRC=ZZ&SELECAO=2
  Acidente envolvendo ônibus da Rápido Brasília na Ponte JK em setembro de 2012.
Foto: http://brasiliatransporte.blogspot.com.br/
           
         Então, percebe-se que o GDF usa de dois pesos e duas medidas. Para o concurso para soldados da PM de 2009, o GDF exigiu a conduta ilibada, o que significa não estar respondendo a processos na Justiça, mesmo os que não foram julgados em última instância, os "transitados em julgado". Isso faz parte da "Sindicância da Vida Pregressa e Investigação da Vida Social", em que cada candidato aprovado é investigado. Se possuir algo que o desabone, mesmo não sendo uma condenação definitiva, o candidato não pode permanecer na PM.

        Há casos de soldados que, já estando servindo dentro da PM, foram excluídos pois as investigações mostraram que eles ou elas tinham amizades e relações com criminosos, embora nada tivessem negativo em sua certidões da Justiça.

         E se formos utilizar as multas aplicadas pelo próprio GDF contra as empresas de ônibus? Por que o motorista que não pagar as multas devidas tem o carro apreendido e os donos das empresas podem manter seus ônibus rodando com multas de 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012, e em péssimos estado?
Mais de 12 milhões em multas não pagas.
Fonte: DFTrans


        O que se pode esperar de empresas que respondem a centenas de processos, indo de dívidas à indenizações a passageiros? Será que essas empresas terão preocupação com os passageiros?

      O que se pode esperar de empresas cujos proprietários respondem a processos criminais por assassinato? Será que haverá preocupação com conforto, segurança ou rapidez?

           O que pode esperar de empresas cujos proprietários respondem a processos criminais até mesmo ligados à Operação Monte Carlo, aquela que levou o bicheiro Carlinhos Cachoeira à condenação? Pagamento dos impostos devidos?

        Não é possível que o GDF entregue o serviço de transporte pelos próximos 20 anos a esses empresários, sob a alegação de que os processos não transitaram em julgado. Chega a ser um escárnio com a população que mora em cidades como Santa Maria e Gama, que não vai mais ter metrô, para os ônibus não terem concorrência até 2034!

sábado, 22 de dezembro de 2012

E A NOVA LICITAÇÃO DOS ÔNIBUS DO DF JÁ TEM O PRIMEIRO VENCEDOR: A VELHA PIONEIRA DE NENEN CONSTANTINO

ANUNCIADA COMO A RENOVAÇÃO DO TRANSPORTE DO DF PARA OS PRÓXIMOS 20 ANOS, A LICITAÇÃO QUE ANUNCIAVA SOMENTE EMPRESAS NOVAS, MOSTRA A VELHA HISTÓRIA DE BRASÍLIA TER O TRANSPORTE DOMINADO POR TRÊS FAMÍLIAS

Constantino, Canhedo e Amaral. Há 30 anos esses três senhores monopolizam o transporte do DF. E devem conseguir mais 20 anos. 

             Falaram, falaram, falaram e deu exatamente o que havíamos anunciado. O primeiro lote da primeira área do trasporte de ônibus do DF foi ganho pela empresa Pioneira, de propriedade da família de Nenen Constantino. O edital não aceitaria empresas em situações irregular e no caso, a Pioneira tem mais de 50 processos de Execução Fiscal na Justiça do DF, até com seu pedido de falência. Basta consultar o seguinte endereço do TJDFT:  

http://tjdf19.tjdft.jus.br/cgi-bin/tjcgi1?
SELECAO=2&ORIGEM=INTER&NXTPGM=tjhtml101&CHAVE1=&submit=ok&CIRC=ZZ&CHAVE=Via%E7%E3o+Pioneira

Essa licitação tem desdobramentos terríveis para o Distrito Federal:

1- Elimina qualquer possibilidade concorrência entre as empresas, o que seria bom para os passageiros. Cada empresa vai ficar com uma área somente para ela, por 20 anos. O DF foi dividido em 5 áreas e a Pioneira ganhou a área 2 (chamada de Bacia 2): Gama, Paranoá, Santa Maria, São Sebastião, Candangolândia, Lago Sul, parte do Park Way, Jardim Botânico e Itapoã. 

2- O Governo do DF chegou ao ponto de prometer que a empresa de ônibus do governo, a TCB não iria participar, o que lhe condena a fechar em breve, por absoluta falta de linhas rentáveis.

3- O Governo do DF igualmente prometeu que o metrô não seria mais construído para o Gama, Santa Maria, Riacho Fundo, Sobradinho, Planaltina, Colorado, final da Asa Norte, entre outras localidades, eliminando a única possibilidade dos passageiros dessas regiões terem um transporte mais rápido, barato e eficiente pelos próximos 20 anos.

4- Mais uma vez elimina-se a implantação imediata da integração do metrô com os ônibus, o que baratearia as passagens.

Modelo dos novos ônibus com piso alto, que o GDF pretende usar como padrão para os próximos 20 anos. É uma piada, mas não é tão longe da realidade. 


               E o pior ainda está para vir: as outras quatro áreas estão em andamento, tornando o DF em um grande oligopólio desse grupo de empresas familiares de transporte rodoviário. O Oligopólio é a junção de vários monopólios.E o monopólio é quando uma única empresa consegue atuar sozinha, sendo ela capaz de ditar os preços e a qualidade (péssima, no caso) de um produto ou serviço.

               
               


terça-feira, 18 de dezembro de 2012


Desaba a Primeira Passarela do Corredor de Ônibus do Gama e Santa Maria
Foto de Adauto Cruz / CB, mostrando o dia seguinte: uma carreta foi atingida, mas o motorista escapou com pequenos ferimentos. E se houvesse pedestres?

              O desabamento da passarela de pedestres sobre o corredor de ônibus do Gama / Santa Maria / Plano-Piloto acende a luz vermelha sobre a qualidade técnica desse projeto. O Governo do Distrito Federal chama esse projeto de corredor de ônibus pelo nome de "BRT Eixo Sul". 
             Mas na verdade é apenas uma  caríssima duplicação desnecessária de rodovia para que ônibus com portas no lado esquerdo possam parar.
             Os custos dessa duplicação fazem do corredor de ônibus Gama / Santa Maria / Plano-Piloto o corredor mais caro do Brasil: mais de R$ 530 milhões para asfalto, alguns pontos de ônibus e algumas passarelas de pedestres para 33 km. Justamente nessa 2a feira, durante uma chuva à tarde, uma passarela de metal e concreto desabou sobre a rodovia. 
               Que a obra é inútil, nós já explicamos várias vezes: o número de passageiros do Gama e Santa Maria (mais de 80 pessoas por hora) deve ser transportado por metrô, que leva 1.400 passageiros em cada trem. Um ônibus bi-articulado leva apenas 140/150 passageiros espremidos.
                Além disso, as ruas não cabem mais essa quantidade de ônibus. O alargamento das rodovias - no caso a BR-040 - apenas causará um gargalo nas entradas do Gama, Santa Maria e do Plano-Piloto, que se estenderá por kilômetros.
                Finalmente, esses ônibus usarão portas no lado esquerdo, exigindo a construção de pontos no lado esquerdo, passarelas para os pontos do lado esquerdo e viadutos para o encaixe desses corredores nas ruas e rodovias do DF.
                Agora, a primeira passarela desaba. O consórcio da construtora atribui o desabamento à ventania da chuva! Brilhante! 
          Uma chuva de verão derruba uma passarela de metal e concreto construída pelos construtores do corredor de ônibus !
            Vamos então fazer as perguntas mais simples:

1- Essa é a qualidade da obra que o governo Agnelo Queirós / Tadeu Filippelli querem dizer que é o modelo de transporte de Brasília? 

2- O material a ser usado em toda obra será dessa qualidade?  

3- A obra não deveria ser paralisada? 


4- O TCU e o MPF não deveriam ser chamados para vistoriar a qualidade da execução da obra? 


5- E se fosse durante o funcionamento? E se estivessem em cima da passarela algumas dezenas de coitados que terão de se espremer nos ônibus? 

    Teriam morrido todos? 

6- No dia 18 de setembro de 2012, com apenas aproximadamente 15% da obra começada, o GDF colocou uma placa, anunciando que o valor da obra havia subido para R$ 785 milhões! 

   No dia 19 esse blog e o blog de Chico Santanna publicaram as fotos da placa e o GDF apagou os valores no dia 20 de setembro. Porque?



             Aguardamos as respostas.

 
 Foto de Luã Mathaus, feita logo após o desabamento, ainda durante a chuva daquela tarde

Imagens da TV Globo Brasília, em que um caminhão-grau é acionado para tentar levantar a passarela
             Enquanto isso, continuamos defendendo o cancelamento desses corredores de ônibus e a construção da Linha 2 do Metrô, que ligará com conforto, segurança e velocidade as cidades do Gama e Santa Maria ao Plano-Piloto.