segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A CONTA DA IMPORTAÇÃO DO DIESEL TAMBÉM DESEQUILIBRA A PETROBRÁS E A BALANÇA COMERCIAL BRASILEIRA.

O modelo de Transporte Rodoviário destrói a qualidade de vida urbana, multiplica o consumo de combustíveis, causa 40 mil mortes por acidentes/ano, 50 mil mortes por doenças/ano e em breve poderá desequilibrar a economia brasileira.


Dentro de mais alguns dias publico a segunda parte do estudo sobre as importações de combustíveis que a Petrobrás vem realizando para a crescente frota brasileira de carros, ônibus e caminhões.

Como o governo federal e os governos estaduais optaram pelo modelo rodoviário de transporte, o pulo de 29 milhões de veículos (ano 2000) para 72 milhões (ano 2012) está causando um consumo de combustível nunca previsto pelo planejamento da Petrobrás.

Se a importação de gasolina já causou um rombo de mais de R$ 9 bilhões em 3 anos, a importação de diesel segue caminho semelhante, com números (em confirmação) de mais de R$ 6 bilhões nos últimos três anos.

Não há possibilidade da Petrobrás não ter de repassar esses prejuízos ao preço dos combustíveis. E não há possibilidade desse aumento de preços não causar inflação.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O INCENTIVO AO TRANSPORTE INDIVIDUAL OBRIGA A PETROBRÁS IMPORTAR GASOLINA.
CONSEQUÊNCIA: GASTOS DE R$ 9 BILHÕES E RISCOS À ECONOMIA BRASILEIRA

Desde 1999 a Petrobrás não tinha um prejuízo em suas contas. E no segundo trimestre de 2012 registrou um prejuízo de R$ 1,3 bilhão. A causa? A importação mensal de mais de 2 milhões de litros de gasolina para abastecer a frota de automóveis que cresce à razão de 3,5 milhões de carros por ano.

Até 2009, o Brasil era praticamente autossuficiente em gasolina. Mas os estímulos do governo à indústria automobilística, combinados com as quase inexistentes políticas transporte público levaram ao brasileiro a optar por comprar automóveis a usar os sistemas de transportes públicos das cidades brasileiras.

Se em 2000 o Brasil tinha pouco mais de 29 milhões de veículos (carros, motos, ônibus e caminhões), em 2012 o tamanho da fota nacional de veículos já ultrapassava os 72 milhões. A consequência mais óbvia pode ser vista nas cidades brasileiras: 260 km de congestionamentos em São Paulo e 160 km de congestionamentos no Rio de Janeiro, só para citar as duas maiores cidades brasileiras.

E muita, muita poluição e acidentes. Só em 2010, mais de 41 mil mortos em acidentes.

E essa frota de automóveis é sedenta de combustíveis: gasolina, álcool e diesel. No caso específico da gasolina, em 2012 foram necessários importar mais de 3,5 bilhão de litros para satisfazer esses milhões de carros e motocicletas. Em 2011 o Brasil gastou US$ 1,6 bilhão em importações de gasolina e em 2012 o Brasil gastou US$ 2,91 bilhões. Usando uma taxa de câmbio média de  R$ 2,00 para cada US$ 1,00 , a Petrobrás teve de importar mais de R$ 9 bilhões em gasolina. 

São R$ 9 bilhões de prejuízo na balança externa brasileira. E o problema não acaba aí. É e será muito mais grave.

A Petrobrás não pode ficar engolindo esse prejuízo sem repassar ao preço da gasolina. E como o Transporte Público brasileiro está concentrado nos automóveis, motocicletas e ônibus e não nos Metrôs, VLTs e Ônibus Elétricos, o repasse do prejuízo da importação da gasolina desencadeará uma inflação a todos os produtos relacionados com o transporte: mão-de-obra, alimentos, eletrodomésticos etc.

Um aumento de 15% no preço da gasolina pode causar uma inflação inicial de 2% a 4% em menos de dois meses. E isso afeta às contas públicas, na medida em que a dívida pública de  R$ 1, 9 trilhão (um trilhão e novecentos bilhões de reais) em setembro de 2012,  tem grande parte dela indexada à correção da inflação. 

Ou seja, a dívida pública aumentará por conta da inflação, podendo chegar e ultrapassar os R$ 2 trilhões em poucos meses


Gasolina A se refere à gasolina pura, que será misturada com álcool (etanol), para fazer a mistura que é o padrão do combustível brasileiro


E se a frota de Automóveis continuar a crescer?


E com o crescimento da frota de automóveis, já que o governo federal isenta o IPI e governos estaduais isentam os carros novos de IPVA (como o Distrito Federal), a necessidade de importar gasolina não diminui.

Segundo o Secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério das Minas e Energia, Marco Antônio Almeida, em 29 de agosto de 2012, o Brasil, através da Petrobrás terá de gastar até R$ 58 bilhões em importações de gasolina até 2020 se o crescimento da frota nacional de veículos continuar na proporção atual.

É importante frisar que esse problema não foi criado pela Petrobrás. Muito pelo contrário, ele caiu no colo da empresa por mau planejamento governamental, que preferiu gastar em corredores de ônibus e incentivos à indústria automobilística.

Como a Petrobrás, que está investindo mais de R$ 100 bilhões na exploração do Pré-Sal, na aquisição de navios petroleiros, de navios-plataforma, na construção de duas mega-refinarias pode desviar ou interromper esses investimentos sem quebrar?

A armadilha do transporte individual motorizado vai levar o Brasil inexoravelmente a uma crise, com a retomada da inflação. E não se pode deixar de mencionar que vai-se chegar a um momento em que as vendas de automóveis vão se estagnar, pois ninguém consegue dirigir dois veículos ao mesmo tempo.

É o que houve nos Estados Unidos, onde cidades dependentes da indústria automobilística, como Chicago, faliram pelo esgotamento da compra de automóveis.

Financeiramente, não há como a Petrobrás absorver a conta da importação da gasolina sem repassar ao preço da gasolina vendida ao consumidor. E não adianta apontar a substituição da gasolina pelo álcool, pois teria-se de dobrar a área plantada em menos de três anos. E novamente após outros seis anos. E isso seria feito através da substituição das lavoura de milho e soja, o que gerará outra cadeia inflacionária pela diminuição brutal da oferta de alimentos.

Segundo empresários do setor canavieiro, seriam necessários R$ R$ 130 bilhões de investimentos para que a indústria da cana pudesse atender essa demanda de combustível. Isso é pouco menos que a necessidade das 10 maiores cidades brasileiras implantarem 20 novas linhas de metrôs a um custo médio de R$ 5 bilhões por cada nova linha.


     Metrôs , VLTs, Ônibus Elétricos, Bicicletas e Pedestres são a solução inteligente para a Mobilidade Urbana 
                                                                             
Metrôs, VLTs, Ônibus Elétricos e Energia Alternativa

E é exatamente aí que está a grande chave que pode resolver essa crise que virá: se o Brasil trocar o modelo de transporte individual motorizado (carros e motocicletas) e de corredores de ônibus por Metrôs, Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs) e Ônibus Elétricos, a necessidade por mais gasolina (e álcool e diesel) irá parar e em seguida diminuirá.

Se a cada ano pudermos diminuir 2% dos veículos individuais por Transporte Público de Qualidade, no primeiro ano a importação de gasolina irá estabilizar. No segundo ano em diante, irá diminuir a importação na mesma proporção e pressão nas contas diminuirá igualmente.


E a questão da Energia Elétrica? Como suprir Metrôs, VLTs e Ônibus Elétricos, se o Brasil está passando por seguidos apagões?

O Brasil tem uma manutenção precária no setor de transmissão de energia. A perda de corrente dentro do sistema de distribuição é um prejuízo que é sempre omitido pelos governantes, que preferem gastar em obras do que em manutenção.

 Pegando novamente o caso de Brasília como modelo, a companhia estadual de eletricidade (CEB) tem seguidamente derrubado o fornecimento de energia no DF. E ao mesmo tempo, construiu uma hidroelétrica em Corumbá (GO) para suprir as necessidades do DF até 2060. A causa é simples: a manutenção está sucateada.

No caso do Brasil, há ainda o potencial inexplorado da energia eólica, já estimado em mais de 1 GigaWatt (1.000 megawatts). Isso sem mencionar parques eólicos como o de Caetité (BA), que mesmo estando prontos, não podem enviar sua energia pois a Companhia Hidroelétrica do São Francisco (CHESF) não construiu os 120 km das linhas de transmissão. 


Além disso, ao se retirar de circulação ônibus, carros e motocicletas, as temperaturas dos grandes centros urbanos irá cair. Em São Paulo, os dias de pouca circulação de automóveis são acompanhados de melhoria nas condições atmosféricas. Nesses dias, o consumo de energia cai igualmente.

Isso diminui a pressão do uso de ar condicionados, que é um dos maiores sugadores urbanos de energia elétrica. E essa energia poderá ser usada pelos Metrôs, VLTs e Ônibus Elétricos.

Com a diminuição dos veículos em circulação, a Mobilidade aumentará, assim como diminuirão os acidentes e as doenças relacionadas à poluição. Novamente diminuirá o custo social que o trio Carros-Ônibus a Diesel-Motos causa ao Brasil. 

Há vários anos estamos tentando convencer às autoridades de planejamento que a cilada do Transporte Individual e dos Corredores de ônibus levará o Brasil a uma forte crise. Fomos à audiências públicas no Senado Federal, nos Ministérios Públicos, nos executivos Federal e do Distrito Federal e o lobby automotivo sempre ganhava.

Agora, se os governos não reverterem as políticas de Transporte Individual e de Corredores de Ônibus, a economia brasileira poderá quebrar. Esperamos que agora estejam mais propensos a nos escutarem.






terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Elefantes cor de abóbora

A Relação entre Governantes, Especulação Imobiliária,Corredores de Ônibus, VLTs e Metrôs na cidade do Rio de Janeiro                                                      





          Um absurdo passou batido pelas festas de final de ano, mas ainda é tempo de resgatar a barbaridade. Em 17 de dezembro passado, juntaram-se o filho do bilionário americano Donald Trump, a Caixa Econômica Federal e o sempre sorridente prefeito do Rio para anunciar que um elefante cor de abórora será construído na Zona Portuária do Rio. O bichão esquisito vai andar da seguinte maneira.
          Pelo que anunciou a trupe do Trump, no segundo semestre começam a ser construídas na degradada zona portuária da cidade duas torres comerciais de 38 andares cada, com 150 metros de altura.
         O negócio será dividido da seguinte forma: Trump entra com o nome e a Caixa, com algo entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões - dinheiro que, pela missão da empresa, deveria ser alocado em saneamento e habitação.
         O R$ 1 bilhão de dinheiro público de diferença entre os dois prováveis orçamentos sabe-se lá para onde vai.
        Já Eduardo Paes, o prefeito do bota acima, vai se encarregar de fazer o elefante abóbora passar lépido entre o emaranhado de instâncias de licenciamento.
        Pelo previsto, esse animal esquisito deve ficar adulto em 2016 – número mágico, o do ano das Olimpíadas na Cidade. Até lá, esse número que identifica a febre obreirística que encanta governantes e suas empreiteiras seguirá justificando o andamento de uma manada inteira de elefantes abóboras na Cidade Maravilhosa.
       Outro desses paquidermes hipetrofiados em custos, o dos corredores rodoviários expressos que já abrem buracos na pista poucos meses após sua inauguração, venceu sabe-se lá como a disputa com outros modais muito mais ecologicamente corretos e adequados aos transportes realmente de massa, como metrôs de superfície.
       Depois do esburacado Transoeste, outros dois elefantes cor de abóra – a Transcarioca e a Transbrasil – estão a pleno vapor, para júbilo de construtoras e tesoureiros de campanhas eleitorais.
       Para completar o faz e desfaz, o sorridente Paes inventou outra, por assim dizer, digna de nota (fúnebre). Cerca de cinco anos após ser construído, outro patrimônio público pode vir abaixo. Trata-se da Vila Olímpica da Gamboa, que atende a quase 2,5 mil pessoas, quase todas residentes no Morro das Providência.
       A desculpa para a destruição desse enorme espaço de esporte, na cidade que hospedará partidas da Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos dois anos depois, é construir ali o Centro Integrado de Operação e Manutenção do Veículo Leve Sobre Trilho (VLT) que vai servir a Zona Portuária.
       Detalhe importante de mais este elefante cor de abóbora: a Vila é pública. O VLT nascerá privatizado.

Carlos Tautz, jornalista, coordenador do Instituto Mais Democracia – Transparência e controle cidadão de governos e empresas. 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

POR QUE UM CONCURSEIRO TEM DE MOSTRAR BONS ANTECEDENTES PARA TRABALHAR NO GOVERNO E UMA EMPRESA DE ÔNIBUS NÃO PRECISA?

As empresas de ônibus do DF possuem dezenas de processos, vários abertos pelo pelo próprio Governo do Distrito Federal e pelo Ministério Público, por não cumprirem suas mínimas obrigações, como transportar passageiros com dignidade e não pagar os impostos. 

           
            Vamos pegar as empresas de transporte de passageiros do DF dos três grandes, Valmir Amaral, Nenen Constantino e Wagner Canhedo. Todas respondem a dezenas de processos, algumas até centenas de processos na Justiça do DF. 

            A Viação Pioneira (da família Constantino) tem 127 ações na primeira instância. São quase 90 processos de Execução Fiscal por não pagamento de impostos, multas e outras obrigações fiscais. Essa Viação Pioneira é justamente apontada pelo Governo do Distrito Federal como a vencedora do primeiro lote de cinco áreas em licitação para operar no DF, com exclusividade pelos próximo 20 anos. A Pioneira possui até um pedido de falência. 

           A família Constantino possui outras empresas no DF, o que expande ainda mais a lista de problemas na Justiça. Mas utilizamos o nome da Pioneira por ser o da empresa que foi inscrita e sagrada vencedora na licitação de transportes do DF.    

              Para consultar, é só colar o endereço abaixo na janela de eu navegador:

http://tjdf19.tjdft.jus.br/cgi-bin/tjcgi1?NXTPGM=tjhtml101&CIRC=ZZ&ORIGEM=INTER&SELECAO=2&CHAVE1=&submit=ok&CHAVE=Via%E7%E3o+Pioneira
Motorista com ônibus da Viação Pioneira atropela e mata jovem em junho de 2010.
Fonte: http://onibusrmtca.blogspot.com.br

           
            A VIPLAN (da família Canhedo), tem 412 ações na primeira instância. Há um equilíbrio entre as ações de execução fiscal nas Varas de Fazenda Pública e de indenizações / cobranças nas Varas Cíveis. A VIPLAN é cobrada por não pagamento de impostos, apropriação das verbas trabalhistas, acidentes de trânsito, não pagamento de fornecedores etc. 

            A família Canhedo tem outras empresas de transporte em Brasília, como a Condor, por exemplo. Igualmente, ao se consultar o nome da Condor, a lista de problemas na Justiça se amplia extraordinariamente. O endereço da pesquisa realizada com o nome VIPLAN foi o abaixo:

http://tjdf19.tjdft.jus.br/cgi-bin/tjcgi1?CIRC=ZZ&ORIGEM=INTER&CHAVE1=&SELECAO=2&CHAVE=VIPLAN&NXTPGM=tjhtml101&submit=ok

Ônibus da VIPLAN capotado na BR-040 em outubro de 2010.
Foto publicada no site:http://onibusrmtca.blogspot.com.br

          Já a empresa Rápido Veneza possui 14 ações e a empresa Veneza Transportes possui 13 ações na Justiça do DF. Essas empresa são ligadas à família Amaral, que participa -  obviamente - licitação de transporte do DF. A empresa maior do grupo, a Rápido Brasília,  possuiu 209 processos na Justiça do DF. Os endereços da consulta foram os seguintes:

Rápido Brasília: 
http://tjdf19.tjdft.jus.br/cgi-bin/tjcgi1?submit=ok&CHAVE1=&CIRC=ZZ&SELECAO=2&NXTPGM=tjhtml101&CHAVE=R%E1pido+Brasilia&ORIGEM=INTER 

Rápido Veneza:
http://tjdf19.tjdft.jus.br/cgi-bin/tjcgi1?ORIGEM=INTER&NXTPGM=tjhtml101&CHAVE=R%E1pido+Veneza&CHAVE1=&submit=ok&CIRC=ZZ&SELECAO=2

Veneza Transportes:
http://tjdf19.tjdft.jus.br/cgi-bin/tjcgi1?ORIGEM=INTER&NXTPGM=tjhtml101&CHAVE=Veneza+Transportes&CHAVE1=&submit=ok&CIRC=ZZ&SELECAO=2
  Acidente envolvendo ônibus da Rápido Brasília na Ponte JK em setembro de 2012.
Foto: http://brasiliatransporte.blogspot.com.br/
           
         Então, percebe-se que o GDF usa de dois pesos e duas medidas. Para o concurso para soldados da PM de 2009, o GDF exigiu a conduta ilibada, o que significa não estar respondendo a processos na Justiça, mesmo os que não foram julgados em última instância, os "transitados em julgado". Isso faz parte da "Sindicância da Vida Pregressa e Investigação da Vida Social", em que cada candidato aprovado é investigado. Se possuir algo que o desabone, mesmo não sendo uma condenação definitiva, o candidato não pode permanecer na PM.

        Há casos de soldados que, já estando servindo dentro da PM, foram excluídos pois as investigações mostraram que eles ou elas tinham amizades e relações com criminosos, embora nada tivessem negativo em sua certidões da Justiça.

         E se formos utilizar as multas aplicadas pelo próprio GDF contra as empresas de ônibus? Por que o motorista que não pagar as multas devidas tem o carro apreendido e os donos das empresas podem manter seus ônibus rodando com multas de 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012, e em péssimos estado?
Mais de 12 milhões em multas não pagas.
Fonte: DFTrans


        O que se pode esperar de empresas que respondem a centenas de processos, indo de dívidas à indenizações a passageiros? Será que essas empresas terão preocupação com os passageiros?

      O que se pode esperar de empresas cujos proprietários respondem a processos criminais por assassinato? Será que haverá preocupação com conforto, segurança ou rapidez?

           O que pode esperar de empresas cujos proprietários respondem a processos criminais até mesmo ligados à Operação Monte Carlo, aquela que levou o bicheiro Carlinhos Cachoeira à condenação? Pagamento dos impostos devidos?

        Não é possível que o GDF entregue o serviço de transporte pelos próximos 20 anos a esses empresários, sob a alegação de que os processos não transitaram em julgado. Chega a ser um escárnio com a população que mora em cidades como Santa Maria e Gama, que não vai mais ter metrô, para os ônibus não terem concorrência até 2034!

sábado, 22 de dezembro de 2012

E A NOVA LICITAÇÃO DOS ÔNIBUS DO DF JÁ TEM O PRIMEIRO VENCEDOR: A VELHA PIONEIRA DE NENEN CONSTANTINO

ANUNCIADA COMO A RENOVAÇÃO DO TRANSPORTE DO DF PARA OS PRÓXIMOS 20 ANOS, A LICITAÇÃO QUE ANUNCIAVA SOMENTE EMPRESAS NOVAS, MOSTRA A VELHA HISTÓRIA DE BRASÍLIA TER O TRANSPORTE DOMINADO POR TRÊS FAMÍLIAS

Constantino, Canhedo e Amaral. Há 30 anos esses três senhores monopolizam o transporte do DF. E devem conseguir mais 20 anos. 

             Falaram, falaram, falaram e deu exatamente o que havíamos anunciado. O primeiro lote da primeira área do trasporte de ônibus do DF foi ganho pela empresa Pioneira, de propriedade da família de Nenen Constantino. O edital não aceitaria empresas em situações irregular e no caso, a Pioneira tem mais de 50 processos de Execução Fiscal na Justiça do DF, até com seu pedido de falência. Basta consultar o seguinte endereço do TJDFT:  

http://tjdf19.tjdft.jus.br/cgi-bin/tjcgi1?
SELECAO=2&ORIGEM=INTER&NXTPGM=tjhtml101&CHAVE1=&submit=ok&CIRC=ZZ&CHAVE=Via%E7%E3o+Pioneira

Essa licitação tem desdobramentos terríveis para o Distrito Federal:

1- Elimina qualquer possibilidade concorrência entre as empresas, o que seria bom para os passageiros. Cada empresa vai ficar com uma área somente para ela, por 20 anos. O DF foi dividido em 5 áreas e a Pioneira ganhou a área 2 (chamada de Bacia 2): Gama, Paranoá, Santa Maria, São Sebastião, Candangolândia, Lago Sul, parte do Park Way, Jardim Botânico e Itapoã. 

2- O Governo do DF chegou ao ponto de prometer que a empresa de ônibus do governo, a TCB não iria participar, o que lhe condena a fechar em breve, por absoluta falta de linhas rentáveis.

3- O Governo do DF igualmente prometeu que o metrô não seria mais construído para o Gama, Santa Maria, Riacho Fundo, Sobradinho, Planaltina, Colorado, final da Asa Norte, entre outras localidades, eliminando a única possibilidade dos passageiros dessas regiões terem um transporte mais rápido, barato e eficiente pelos próximos 20 anos.

4- Mais uma vez elimina-se a implantação imediata da integração do metrô com os ônibus, o que baratearia as passagens.

Modelo dos novos ônibus com piso alto, que o GDF pretende usar como padrão para os próximos 20 anos. É uma piada, mas não é tão longe da realidade. 


               E o pior ainda está para vir: as outras quatro áreas estão em andamento, tornando o DF em um grande oligopólio desse grupo de empresas familiares de transporte rodoviário. O Oligopólio é a junção de vários monopólios.E o monopólio é quando uma única empresa consegue atuar sozinha, sendo ela capaz de ditar os preços e a qualidade (péssima, no caso) de um produto ou serviço.

               
               


terça-feira, 18 de dezembro de 2012


Desaba a Primeira Passarela do Corredor de Ônibus do Gama e Santa Maria
Foto de Adauto Cruz / CB, mostrando o dia seguinte: uma carreta foi atingida, mas o motorista escapou com pequenos ferimentos. E se houvesse pedestres?

              O desabamento da passarela de pedestres sobre o corredor de ônibus do Gama / Santa Maria / Plano-Piloto acende a luz vermelha sobre a qualidade técnica desse projeto. O Governo do Distrito Federal chama esse projeto de corredor de ônibus pelo nome de "BRT Eixo Sul". 
             Mas na verdade é apenas uma  caríssima duplicação desnecessária de rodovia para que ônibus com portas no lado esquerdo possam parar.
             Os custos dessa duplicação fazem do corredor de ônibus Gama / Santa Maria / Plano-Piloto o corredor mais caro do Brasil: mais de R$ 530 milhões para asfalto, alguns pontos de ônibus e algumas passarelas de pedestres para 33 km. Justamente nessa 2a feira, durante uma chuva à tarde, uma passarela de metal e concreto desabou sobre a rodovia. 
               Que a obra é inútil, nós já explicamos várias vezes: o número de passageiros do Gama e Santa Maria (mais de 80 pessoas por hora) deve ser transportado por metrô, que leva 1.400 passageiros em cada trem. Um ônibus bi-articulado leva apenas 140/150 passageiros espremidos.
                Além disso, as ruas não cabem mais essa quantidade de ônibus. O alargamento das rodovias - no caso a BR-040 - apenas causará um gargalo nas entradas do Gama, Santa Maria e do Plano-Piloto, que se estenderá por kilômetros.
                Finalmente, esses ônibus usarão portas no lado esquerdo, exigindo a construção de pontos no lado esquerdo, passarelas para os pontos do lado esquerdo e viadutos para o encaixe desses corredores nas ruas e rodovias do DF.
                Agora, a primeira passarela desaba. O consórcio da construtora atribui o desabamento à ventania da chuva! Brilhante! 
          Uma chuva de verão derruba uma passarela de metal e concreto construída pelos construtores do corredor de ônibus !
            Vamos então fazer as perguntas mais simples:

1- Essa é a qualidade da obra que o governo Agnelo Queirós / Tadeu Filippelli querem dizer que é o modelo de transporte de Brasília? 

2- O material a ser usado em toda obra será dessa qualidade?  

3- A obra não deveria ser paralisada? 


4- O TCU e o MPF não deveriam ser chamados para vistoriar a qualidade da execução da obra? 


5- E se fosse durante o funcionamento? E se estivessem em cima da passarela algumas dezenas de coitados que terão de se espremer nos ônibus? 

    Teriam morrido todos? 

6- No dia 18 de setembro de 2012, com apenas aproximadamente 15% da obra começada, o GDF colocou uma placa, anunciando que o valor da obra havia subido para R$ 785 milhões! 

   No dia 19 esse blog e o blog de Chico Santanna publicaram as fotos da placa e o GDF apagou os valores no dia 20 de setembro. Porque?



             Aguardamos as respostas.

 
 Foto de Luã Mathaus, feita logo após o desabamento, ainda durante a chuva daquela tarde

Imagens da TV Globo Brasília, em que um caminhão-grau é acionado para tentar levantar a passarela
             Enquanto isso, continuamos defendendo o cancelamento desses corredores de ônibus e a construção da Linha 2 do Metrô, que ligará com conforto, segurança e velocidade as cidades do Gama e Santa Maria ao Plano-Piloto.
               

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

         POLUIÇÃO SONORA DOS AVIÕES INVADE AS ÁREAS PRESERVADAS. AERONÁUTICA NEGA APESAR DE FOTOS E VÍDEOS...


        Em Brasília, além do transporte terrestre estar em um caos crescente, o transporte aéreo também ameaça acabar com a qualidade de vida da antiga "Brasília, Cidade Jardim". Em 2005, começou a funcionar a nova pista do Aeroporto Internacional de Brasília, que levou quase 10 anos entre obras e paralisações judiciais.
         Desmataram mais de 100 mil m2 de cerrado, tudo em nome do progresso...Os moradores das áreas vizinhas tiveram uma óbvia queda da qualidade de vida, com o ruído das turbinas durante o dia inteiro.
         Agora, de 2010 em diante, a poluição sonora se espalhou por várias áreas afastadas do próprio aeroporto, pois as rotas de aproximação e decolagem foram alteradas. Por uma decisão de um burocrata alheio à qualidade de vida dos habitantes de Brasília e sem consultar a população, para saber se ela concordava com isso, as rotas de aproximação foram concentradas sobre a região do Jardim Botânico e do Lago Sul.
       Surpreendentemente, o Comando Militar das Aeronáutica nega que os aviões passem por aquela rota em baixa altitude, em manobra de pouso, como pode ser visto na cópia da resposta do brigadeiro Maurício Ribeiro Gonçalves, comandante do Cindacta 1.

Em vermelho sublinhamos a parte do texto que nega a possibilidade de escuta de qualquer ruído das aeronaves, já que estariam em grande altitude ou seriam apenas ruídos das aeronaves no aeroporto, que estariam muito afastadas, por estarem "em direção oposta"...


E as assinaturas dos dois assessores jurídicos do Cindacta e do brigadeiro comandante. Será que ele  tinha noção do que seus assessores afirmavam?

   

              O que podemos fazer é apenas mostrar agora, em primeira mão, algumas fotas tiradas hoje (17/nov/2012), com uma máquina sem grandes recursos, em que se pode ver claramente um jato de passageiros de duas turbinas (um Airbus A-320 da TAM), já com os trens de pouso baixados, luzes acesas, em procedimento de aproximação para pouso...
              O avião seguinte (um Boeing 767), passou a menos de 2 minutos de distância, o que nos leva a crer que há um perigoso excesso de aviões em fila no aeroporto de Brasília. Esse excesso de vôos e já foi inclusive denunciado pela greve dos controladores de vôo em 2007.
              O  pouso do Airbus da foto , que pelo assessor técnico do Cindacta - é imaginário -  ocorre ao ritmo de 1 avião a cada 3 minutos pelas manhãs. Isso sem falar dos aviões que pousam às 04 horas da madrugada, desrespeitando até a lei do silêncio.

Airbus A-320 em manobra de pouso, com os trens de pouso baixados, luzes acesas e flaps baixados. Tudo isso é imaginário ou não existe, de acordo com o relatório do assessor técnico do Cindacta, que nega os aviões estarem usando a região do Jardim Botânico e Setor Dom Bosco do Lago Sul como rota de aproximação...

        
Na próxima postagem colocaremos um vídeo com uma sequência de matinal de aviões "inexistentes", fazendo aproximações de pouso "inexistentes" e emitindo poluição sonora "inexistente". Um grande abraço a todos!